Rascunho #01 – Iniciando sua campanha

A primeira dica será baseada no inicio da campanha. E vamos falar sobre como inserir seus jogadores no seu mundo de forma pratica e interessante. O mestre tem que ter a  noção dos seguintes pontos: Quem são os personagens, o que eles querem, e porque eles se aventurariam no seu mundo. 

Quem são os Personagens

Saber quem são os personagens é o principal ponto a ser levado em consideração quando se inicia uma campanha. Então, esqueça o velho Quest Giver da taverna, o Lorde que teve a filha sequestrada, ou os monstros que estão atacando a vila. Serio… isso já está manjado.

Carven é um bárbaro que deseja criar uma tribo, porque foi exilado de sua própria tribo e quer fazer as coisas da sua maneira.

Esse pode ser um histórico um tanto cliché, mas nem por isso o desenvolvimento dele precisa também ser cliché. De maneira pratica, voce não precisa abrir mão do seu plot inicial, mas incluir elementos como ? um NPC que seja da vila deste bárbaro já é um bom inicio. Alguém que poderia precisar de sua ajuda, e este bárbaro lhe ajudará pois sabe que este NPC seria importante para a fundação da sua própria tribo. Fazendo isso, voce efetivamente transformou seu bárbaro em um protagonista, e não apenas mais um no grupo. Analise cada histórico – já que como mestre provavelmente voce cobrou esse histórico dele, então não o ignore – e tente criar conexões para cada personagem na sua trama. Assim, eles se sentirão realmente motivados a participar dela, pois seus interesses estão efetivamente ligados a trama.

Oque eles Querem

Saber o que eles querem, não é necessariamente saber seu objetivo do histórico. O mesmo bárbaro Carven, pode estar interessado em itens mágicos valiosos ou batalhas épicas. Leve isso em consideração na hora de criar seus encontros, sejam eles batalhas ou sociais. Falando em sociais, quando um jogador faz um personagem completamente inútil em situações de combate, mas útil em outros campos, esse personagem merece uma atenção especial. Porque ele nunca vai ser destaque onde os outros estão se destacando, mas terá seus momentos próprios. Um personagem assim, precisa de um encontro com mais finalidades do que só atacar criaturas, voce tem a obrigação de sempre que fizer uma sessão, olhar as habilidades e pericias deles para tentar, de alguma forma, criar situações onde cada um poderá usar oque tem de melhor. Um diplomata, poderia ajudar vitimas motivando-as a continuar em um discurso, ou poderia dialogar com um NPCs em um batalha afim de mudar o rudo dela, um mecânico, poderia desativar armadilhas ou cria-las em combate. Sempre prepare os conteúdos de suas missões levando esses personagem. Sem essa consideração ele facilmente se cansará de suas sessões.

Porque eles se aventurariam no seu mundo ?

O motivo de estar no seu mundo é um trabalho que deve ser feito em conjunto. Jogadores e mestres devem desenvolver os personagem levando em consideração a motivação um do outro. Carvan o Bárbaro não se encaixaria numa campanha politica, se essa campanha não envolvesse tribos bárbaras. Assim com o jogador não deveria fazer um bárbaro para esse tipo de campanha.  Evite o costume de criar encontros, principalmente de combate aleatórios. Esses combates geralmente são sem propósito é muitas vezes sem criatividade, oque pode torna-lo sacal. Se voce pretende surpreender o grupo na estrada com salteadores, crie um motivo de porque esses salteadores fazem isso. Respondendo mentalmente a essa pergunta já lhe ajuda a estar preparado para qualquer situação que esteja envolvida.

Imagine que o salteador não é uma pessoa completamente má, mas ele faz isso porque acha ser o único meio de sobreviver devido aos impostos cobrados pela coroa. Se por acaso o grupo de salteadores perder a batalha e antes de morrer eles quiserem se entregar ? Os jogadores poderiam perguntar a motivação. Talvez, esse salteador se torne um NPC aliado temporário, ao invés de “apenas mais um que tem que morrer”.

Pense nisso, esses tópicos, resumidamente se transformam numa pergunta: Isso é realmente necessário ? Quando voce descobre a necessidade do personagem, do que eles querem e porque eles fazem o que fazem, quando se tem um motivo para tal, criasse uma motivação que faz tudo ficar mais interessante. Eu particularmente faço isso sempre, oque costuma criar especulação frequente nos finais das minhas sessões. Os jogadores sempre se questionam achando que NPCs “inúteis” na verdade são vilões importantes, eles dão mais valor ao meu salteador do que eu realmente dei.

Willian Silva
Willian Silva
Salve a todos sou Wiu, mestre veterano desde que o D&D 3.5 era coisa de maluco e Vampiro a Mascara era coisa do capeta. Gosto de um bom MMO e mesas de RPG do Tipo Syfy e Medieval que tenha uma boa historia aprofundada nos personagens - Porque eu adoro torturar psicologicamente meus jogadores e os personagens deles. (falei e saí correndo)
  • Aline

    Eu comecei a história da minha mesa (1×1) na cidade-natal da personagem. Ela foi raptada por um cultista logo no começo e forçada a ser uma bruxa.
    1×1 tem muitas opções de começo, então é mais fácil de ser criativo em. Tem uma trope onde a party inteira começa em uma cela por seus próprios motivos e têm de escapar juntos, nunca usei mas acho legal.

    • Willian Silva

      Isso é interessante. Eu não entendi a parte do 1×1 (acredito que seja um jogo solo), mas levando esse seu inicio em consideração. O motivo pelo qual eles estão ali é a prioridade. Tente pelo menos perder uma sessão na parte de sair da cela, e cada um tendo oportunidade de contar o porque estão ali. Nesse caso, um NPC (um velho que tem metade do plano seria ideal) precisaria de tempo para colocar o plano em ação (sei lá, talvez a noite) e durante o dia voces conversam, e disso sairia uma “união” dos interessados em fazer parte do plano de fuga. Nesse caso, a parte sentimental do personagem conta muito, uma amizade através dessa dificuldade. Pense nisso, depois me conte como fez 😀

      • Aline

        Eu deixei como ideia. Normalmente só mestro solo (mais flexibilidade, menos gente pulando em você por qualquer coisa), e o negócio da cela é melhor pra um grupal.

        • Willian Silva

          Concordo.